tudo ao mesmo tempo

Hoje foi dia de pegar as chaves da casa nova. Dia de fazer a mudança. Dia de começar a adaptar baby Nick na creche – sim, porque o Vivi nem precisa de adaptação (acredita que ele chorou na hora de voltar pra casa??? queria ficar lá, vê se pode?). Enfim, foi um dia cheio de coisas novas, esquentando as turbinas pro nosso Ano Novo, afinal, o carnaval acabou, logo, estamos oficialmente em 2012 ;).

Oh well, vamos por partes…

Pra começar, minhas impressões foram as melhores possíveis e se eu já gostava da creche anterior, esta então é fantástica. Além de todos os pontos positivos da outra escolinha, nesta ainda tem alguns bonus: staff anda uniformizado, cada criança tem seu caderninho de comunicação, não precisamos fornecer nadinha (nem sequer fralda!), o espaço do lado de fora é separado por faixa etária (4 áreas) e planejado de acordo com cada grupo, as salas são super bem planejadas e lotadas dos mais variados brinquedos, as crianças são todas super-super-super sweet, as teacher são um misto de fofas e rigorosas (do jeito que deve ser) e ainda tem uma portuguesa no staff :), o que pode ajudar bastante na adaptação do Nickitito. O menu semanal é um luxo, tudo orgânico e fresquinho. Fizeram questão de avisar que não servem nem pizza, nem chicken nuggets, nem salsicha, ou qualquer junkie food pras crianças e que tudo é preparado diariamente dentro da creche. Claro que a mensalidade é mais carinha, mas gente, vale muito a pena – eu estou adorando! 🙂

Mas a melhor parte do dia ficou por conta da casa nova que, gente, é muito boa. Finalmente acho que chegamos a um meio termo entre localização e espaço. Tá certo que, como já contei, tô mordendo a língua como jamais pensei que pudesse morder (o próximo passo seria falar bem da Barra), afinal a neighbourhood que escolhemos desta vez, nada mais é do que uma réplica, só que em maiores proporções, daquela onde morávamos em Bloomington, ou seja, estritamente casas do mesmo estilo (oh my!), parques, ruas tranquilas e nada, repito, NADA de comércio ao redor. Nada de praia pertinho, nada de trem na porta. Nada de poder ir ao mercado andando em 5 minutos, tampouco dar um pulinho na manicure. Pobre Eriquinha. Entretanto, a Eriquinha aqui está feliz da vida com o espaço da casa e com o fato de estarmos bem em frente a um parquinho. A casa em si é ideal pra nossa not so little family. Tem o espaço perfeito, nem mais nem menos. E, verdade seja dita, nossa nova (and fake) neighbourhood é o lugar ideal pra raise the kids.

Agora é colocar a casa em ordem (o que certamente vai render algum material pro site:)) a base de muita reforma de moveis – porque, gente, os que a gente tem não tem nadinha a ver com a nova morada – de muita criatividade, de um sofá novo e de umas visitinhas básicas a minha boa e velha Ikea (reforçando minha relação de amor e ódio com ela), porque por mais que eu reclame, é impossível abandonar o vício, ainda mais tendo inaugurado uma novinha aqui do ladinho.

Não percam os próximos capítulos da minha saga, colocando em ordem a casa nova 😉

metamorfose ambulante

Não sei como eu ainda me surpreendo comigo quando o assunto é planos/futuro. Tanto eu quanto meu digníssimo mudamos os planos o tempo todo: uma hora a gente decide que vai voltar pros EUA, depois decide que não existe lugar no mundo mais completo que a Austrália, um pouco depois planeja passar uns dois anos na Coréia, pra juntar uma grana e voltar pra Austrália e entre um pensamento e outro ainda bate aquela saudadezinha do meu Rio e da proximidade da família e tal. Mas a verdade é que com todos os nossos planos e mudanças de planos, uma coisa está sempre presente, a Austrália, afinal, alguma consistência se há de ter.

E foi pensando nessa consistência que ao fim desta nossa primeira semana de volta à Melbourne surgiu uma (meio que) mudança de plano.

No momento, confesso, quase que mandei pelos ares o projeto do site e comecei a procurar emprego de arquiteta, mas respirei fundo e decidi não abandonar um barco que nem partiu ainda, simplesmente porque odeio deixar as coisas pelo meio do caminho, abandonar projetos, desistir. Mas que me deu vontade deu, ai, caramba!

O meio termo que encontrei foi o seguinte: me dedicarei pelos próximos 12 meses não só ao site mas também ao processo de validar meu diploma aqui na Austrália (e se necessário for, fazer os cursos necessários). Depois disso, continuo tocando o site, mas volto a trabalhar fora, já que meu plano de vida agora envolve me tornar arquiteta registrada na Austrália e para tanto, devo ter dois anos no mínimo de trabalho supervisionado. Tudo dando certo, após os dois anos, começo a estudar pras provas escrita e oral e com sorte, em mais um ano serei arquiteta registrada, o que me possibilitará trabalhar por conta própria com dignidade :).

Mas porque essa reviravolta nos planos? Há! Eu explico. No fim de semana fomos jantar na casa de uns amigos dos nossos amigos Flavia e Luciano e eles estão construindo a casa deles. Sabem quanto eles pagaram pelo projeto? A bagatele de AU$ 65K. Pô, fala sério, se eu conseguir (na pior das hipóteses) dois porjetos desse por ano, trabalhando do aconchego do meu lar, a gente pode se ocupar de começar a construir a nossa própira casa, tem noção? Mas não, não foi só pelo valor financeiro que meus planos pra 2012 deram uma entortada… Foi porque quando eu peguei aquele rolo de plantas, foi me subindo uma quentura, me dando uma inquietação que, pelamordedeus, fiquei nervosa a ponto de passar a noite em claro. Tudo voltou, toda minha paixão pelo meu trabalho. Esqueci até dos clientes muuuuito maletas que já tive ao longo do meu percurso, que me faziam espumar de raiva quando sugeriam que eles “só precisavam de alguem pra colocar no papel a idéia (torta!) deles”.

Bom, gente é isso, até segunda ordem, o HomeSweetener entra no ar no dia primeiro de abril (and I’m NOT kidding :)) e enquanto eu posto idéias BBB (boas, bonitas e baratas) por lá, vou dando andamento à retomada da minha vida de arquiteta, afinal, não dá pra ignorar o fato de que aqui é o paraíso da arquitetura. Sounds exciting, doesn’t it?

the most perfect baby

Olha, eu sei que reclamava muito do nosso baby Nick nos primeiros meses (tá, foi mais do que os primeiros meses), porque o bichinho não dormia mais do que 20 minutos seguidos, me deixando completamente exausta, mas olha, gente, hoje posso dizer que tenho um baby (or should I say toddler?) nota 1000.

Nickitito ainda não fala e todo mundo pra ele é “babaaaaa”, mas o bichinho é esperto como poucos da idade dele (e quando eu comparo com o Vivi, nossa, a diferença é gritante). Ele adora brincar com iPad, e presta especial atenção no alfabeto que mostra os bichos e seus sons. Adora também um outro de apertar os bichinhos, mas o campeão é o gatinho que repete tudo o que ele fala, no caso: babaaaaaaaaa :). Ele morre de rir!

E quando quer ter a fralda trocada? Não interessa se é número 1 ou número 2, ele avisa logo: para pertinho da gente, abre as perninhas, aperta a fralda e avisa “a-a-a” (quando é cocô adiciona a tradicional abanadinha de mão em frente ao nariz fazendo barulhinho de fedido)

Mas isso não é nada, eu fico mesmo impressionada é com a capacidade que o pequeno tem de imitar tudo o que a gente faz e mais, como ele entende e faz tudo o que a gente pede. E a interação dele com outras crianças? Fantástico! Ele brinca de pique-esconde, tampa os olhinhos e “conta até dez” feliz da vida. A coisa mais fofa!

Ele e o Vivi brincam a beça e apesar do big brother reclamar “mas o Nick não fala!” eles se divertem aos montes. O pequeno Nick é super ativo e se comunica muitissimo bem muito embora ainda haja a limitação da fala. Eles jogam juntos no iPad, brincam de pega-pega, de bonecos, carrinho, jogam bola, lots of fun!

E o pequeno Nick até parece um macaquinho de imitaçao, copia expressões faciais, gestos, coreografias e sons. Imita também os bons costumes, tipo: sempre que come, gosta de ter à mão um guardanapo pra limpar a boquinha (a própria e a de quem mais estiver precisando). Quando tem algum lixinho na mão, tipo um papelzinho do bis que acabou de comer :), vai ligeiro até a lixeira, aperta o pedal com o pé e descarta o que não  lhe interessa. Nossa, orgulho da mamãe!

Gente, e como é bonitinho ver o pequeno pedir as coisas. Sabe direitinho se fazer entender, seja quando está com fome, com sede, com sono… quando quer que eu cante uma musiquinha, quando quer a chupeta, ou colinho. Tem um jeitinho especial pra pedir cada coisinha e quando alguém não o entende, ele não perde tempo e vai logo mostrar, abre armário, geladeira, aponta e em última instância grita “á-á-á” (ou mais recentemente: grrrrruuuuu). Um fofolito.

Mas nada disso exemplifica tão bem meu bebê perfeito quanto o que eu vou contar agora: na última sexta, saímos pra jantar com uns amigos e claro as crianças foram também. Os dois molequinhos comportaram-se exemplarmente, mas baby Nick foi além. Depois de brincar com  os lápis cera e colorir de montão, deu uma voltinha pelo restaurante acompanhado do Tio Luciano (que por sinal está super preparado pra ser papai), sentou-se pra comer e quando sentiu o soninho batendo não relutou, encostou a cabecinha na mesa e tcharam!, dormiu! Dormiu antes mesmo que o papai Mauricio pudesse completar a frase (“se esse bebê dormir agora ele ganha o título de bebê perfeito” – e assim foi, ganhou o título com louvor). Gente, vocês tem idéia do que é isso? Eu não tinha. O Vivi sempre foi muito difícil, ainda mais nessa idade do Nick (hoje em dia ele é bonzinho, mas graças aos pais que o mantém em rédeas curtas ;)).

 

achamos!

Casa nova a vista. Creche nova a vista. Vida nova a vida e… muito trabalho pela frente!

Fizemos nossa primeira inspection na terça, a segunda na quarta, a terceira na quinta. Vimos ao todo 4 casas, todas na mesma região, um bairro desses planejados, bem nos moldes americanos, com ruelas “tortinhas” (como diz meu marido), cul-de-sac  e parques salpicados aqui e ali. Verdinho, seguro, cheio de crianças muito bem educadas e cachorros mansinhos pelos gramados brincando. Tudo formando aquele conjunto de vida perfeita e no qual eu nunquinha me imaginei, sabem? Realidade criada, fake neighbourhood. Aplicamos pra duas e após um tempo infinito  de praticamente um dia inteiro recebemos as respostas, ambas positivas, e pudemos optar pela casa perfeita :). Área social espaçosa sem ser gigantesca, o que nos economiza uns bons merréis, 3 quartos amplos (uma suíte mais ampla ainda), escritório, lots of storage (!!), garagem dupla com acesso interno, carpete novinho, pintura novinha, lavanderia espaçosa, walk-in pantry, aquecimento e refrigeração centrais, banheiro principal com banheira separada do chuveiro, quintal pavimentado… enfim, cumprindo todos os requisitos desejados – a não ser aqueles que abri mão desde o início: proximidade da praia, do comércio, do trem… da vida urbana enfim. – não dá pra ser perfeito, né?

Querem saber qual é a verdade? Seremos mesmo uma família dos subúrbios, mas não de um subúrbio qualquer, um especial, planejadinho e bem fake, daqueles que eu sempre critiquei.

Manjam comercial de Doriana? Família perfeita e feliz? Casal, dois filhos, cachorro (?), casas sem muro, bairro verdinho, parques por toda parte, ruas residenciais, carros passando bem devagarzinho, moradores cuidando do jardim no fim da tarde, vizinhos se cumprimentando, papai e mamãe chegando cedo em casa e aproveitando o resto do dia com as crianças, churrasco nos fim de semana? Pois é, é bem por aí. Nada de vida urbana, barulho da cidade, nem poeira (saco!). Vida nem um pouco cosmopolita. Tudo milimetricamente projetado pra ser um oásis de perfeição – tudo o que eu sempre abominei (tá, podem me chamar de revoltada :)). O fato é que mordi minha língua e muito bem mordida, daquelas mordidas de arrancar pedaço pra nunca mais dizer “dessa água não beberei”. Mas, gente, querem saber, tô feliz com nossa escolha e super disposta a tentar me acostumar com essa idéia de vida suburbana (Erica, o queeeee?), do tipo “little boxes on the hillside, little boxes made out of tictacs, little boxes on the hillside, little boxes all the same…”

Detalhe básico: No dia em que fomos fazer nossa primeira inspection, paramos com as crianças no parquinho que fica exatamente em frente à (nossa futura) casa pra eles brincarem um pouquinho e, gente, que surpresa tivemos ao ver que todas as crianças que lá brincavam eram mais do que educadas, eram the perfect children. Vieram saudar o Vivi (que trajava sua fantasia do Woody) com muitos sorrisos e atenção, completamente receptivas como jamais vi, e olha que já frenquentei muitos parquinhos nessa vida, mas um grupo de crianças como aquelas nunca vi. Gente, crianças são implicantes por natureza, mas ali nenhuma era, eram todas sweet toda vida, fiquei bem impressionada. Mas minha surpresa não parou por aí…

Estavamos lá sentadinhos observando as crias, quando se aproximou um dos pais, meio que fazendo uma nem tão discreta, let’say, investigação, super cortez porém. “Vocês estão vendo casa aqui?” “Como vocês ficaram sabendo do  “The Heath”? (como se fossem uma sociedade secreta). E ainda completaram, mostrando que “nos aprovaram enquanto vizinhos” :), “Olha, as casas aqui nunca ficam vazias, a procura é grande… é um ótimo lugar pra morar… muito verde, seguro, super família…”. Okay, nesse momento, entendemos o recado, we should act fast! And we did 🙂

we are here, we are here (kind of half way)

E após longas 36 horas de viagem, chegamos em Melbourne no sábado último, já no fim da tarde. Nossa, que loucura! O que? Tudo!

Loucura ter passado três meses no Brasil. Loucura ter devolvido a casa e deixado todos os nossos pertences num depósito. Loucura voltar pra “casa” após tanto tempo e não ter casa. Loucura ter cancelado nossos celulares. Loucura ter perdido a vaga dos meninos na creche. Loucura ter feito uma cirurgia no Brasil e estar agora cheia de restrições, pra não correr o risco de ter que passar novamente pelo procedimento. Loucura ter economizado uns centos e ter viajado de Aerolíneas e ter pego conexões que não se comunicam. Loucura, loucura, loucura, tudo uma grande loucura!

Mas é assim que a gente aprende, não é mesmo? Errando.

Daqui pra frente, nossas férias no Brasil serão de um mês e não vamos mais entregar a casa, tampouco deixar nossa vida material num depósito. Não vamos também tirar as crianças da creche (o prejuízo de um mês sem ir é menor do que o que se tem sem ter creche na volta). Mas acima de tudo isso, o que certamente não faremos mais é economia porca. Ninguém, eu disse, NINGUÉM, merece fazer com duas crianças (que por sinal são dois anjos nos ares) a viagem que fizemos. É muito sacrificante pros pobrezinhos e pros pais dos pobrezinhos, of course.

Entretanto, a pior parte vem agora: encontrar nossa nova morada. E são tantos poréns, tantas exigências que chega a me dar dor no estômago.

A casa ideal seria uma com quintal pavimentado, 3 quartos (sendo uma suite com walk-in-robes) de tamanho decente, banheiro principal com banheira separada do chuveiro, cozinha novinha com dishwasher (please!), lavabo, área social ampla, planta aberta, garagem dupla com acesso direto à casa e controle remoto, ar condicionado e aquecimento centrais, quarto extra ou estudio e, claro, deveria ser novinha. Coisas como estar num bairro que não precisasse de carro, onde pudesse ir ao mercado a pé, e que a praia estivesse do outro lado do quintal, são luxos dos quais estou abrindo mão e acreditem, estou correndo o sério risco de morder minha língua e ir morar no esquema american life (OMG!). Vamos ver o que a gente consegue no fim das contas.

Mas não vou reclamar muito da vida não, afinal estamos aqui muitíssimo bem instalados, abusando da hospitalidade da tia Flavia e do tio “Ciano” (e do Mingau!), que gentilmente nos cederam dois dos três quartos da casa novinha deles e nos deixaram absolutamente à vontade, como se em nossa casa estivéssemos.  Quando finalmente tivermos nosso teto novo, vamos sentir muita falta dos nossos room mates.

eu calço 37

Mas só às vezes.

Vez por outra acontece do meu número ser 36 e ainda tem aquelas ocasiões que após a louca aqui percorrer várias filiais da loja X e não encontrar seu número, se rende à bota 39 que tanto amou – eita consumismo ferrenho!

Mas a curiosidade fica por conta da mudança de número ao mudar de país. Sái do Rio calçando uma Melissa 37 justinha nos pés e cheguei em Melbourne com uma folga de um dedo, frouxinha, frouxinha. Doido, né?