a novela das oito (agora das nove)

Como vocês já estão carecas de saber, saímos do Brasil já faz quase oito anos, durante os quais visitamos a terrinha 5 vezes (contando com esta), perdi portanto várias novelas, várias coleções da Cantão, da Arezzo e da Riggy. Tô super por fora das estampas da moda carioca e do design da havaianas (o da Melissa, acompanho online, of course).
Desta vez, não sei se porque ficamos três anos sem aparecer por aqui ou se porque já não sou mais uma garotinha ou se porque fui fisgada pela moda Aussie, já não vejo muita graça em muita coisa. As vitrines daqui já não me hipnotizam como antes, tampouco as araras no interior das lojas. Sei não, mas acho que a moda melbourniana anda fazendo mais a minha cabeça – se bem que confesso que biquínis, bolsas e sapatos brasucas continuam em alta no meu conceito.
Agora vejam só que engraçado o que acontece quando o assunto é novela.

É mais do que sabido o orgulho que o povo brasileiro tem de suas novelas, né não? Eu mesma, quando recém saída daqui, explicava pros colegas Americanos o quão diferente eram as novelas brasileiras das mexicanas, e explicava que não tinha nada a ver, que eram conceitos completamente diferentes. Entretanto, os anos passaram e me acostumei tanto ao formato sitcom que toda vez que me deparava com a famosa novela das oito chegava a achar graça, ainda que não houvesse um pingo de comédia envolvida na cena. A música ao fundo, a melodia do suspense, o melodrama, todo o formato. Comecei, vejam vocês, a achar que novela brasileira, Mexicana ou Americana dava tudo no mesmo, só mudava o endereço. Comecei a não ter saco pra assistir nem um capítulo inteiro, muito menos acompanhar por um mês. Porém, contudo, todavia, desta vez, tive uma percepção um pouquinho diferente e muito embora já não conheça nem a metade dos atores, sabem que por mais que continue achando o formato meio ‘bregoso’, sinto quase que uma vontade de acompanhar?!?!? Nada muito forte que me faça ligar a TV, mas se ao trocar de canal eu vir que está rolando uma novelinha da Groooobo, bem que dá vontade de assistir. Pois é, gente, nem eu entendo, mas tem alguma coisa viciante nessas novelas, que apesar de serem lentas como um jegue no lombo de uma lesma, conseguem prender a atenção, nem que seja pela graça da precariedade. Mas por favor não me tomem por arrogante ou por alguém que saiu do país e nega suas raízes porque eu a-do-ro os programas de humor tipo A Grande Família, Os Normais, Sob Nova Direção e coisas do gênero (mas abomino Zorra Total) e a-do-ro também a cultura do meu Brasil, a comida, as praias do meu Rio, a arquitetura (menos daquelas que insistem em imitar as McMansions americanas, of course), o jeito criativo do meu povo. Mas gente, tem coisa que não rola, né? E eu definitivamente não sou do tipo que ama cegamente a ponto de não enxergar os defeitos. Se eu enxergo até os defeitos dos meus filhotes (ahn? Defeito? Eles são perfeitos!!), imagina se não enxergaria os do meu país? 🙂

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