vida carioca

Tirando a mega saudade que sinto da família e dos amigos, outra coisa que me deixa homesick é a vida carioca. A voltinha na praia, a água de coco, o insalubre mate leão de barril, o biscoito globo, o Jardim Botânico, o Parque Lage, a Floresta da Tijuca, o Corcovado, a Enseada de Botafogo, o centro da cidade, a vida urbana carioca enfim. Sou cria da Tijuca, do Maracanã, de Vila Isabel, da região não turística da Cidade Maravilhosa,  onde muito embora não haja praia no quintal, tem esquina movimentada, lojinha de sucos fresquinhos, pastelaria, açougue, centro de depilação, manicure, salão de beleza, jornaleiro, padaria do Seu Manoel e também Manuel e Juaquim, tudo ao alcance de poucos passos. Tem também parquinho com cavalinho, charretinha puxada por bode, teatrinho ao ar livre nos fins de semana, feira livre…  todas essas coisinhas compõem, em minha humilde opinião, minha tão estimada vida urbana. Não me entendam mal, não sou bairrista e não tenho de modo algum coração tijucano – até porque por aquelas bandas não tem praia, se tivesse, talvez vestisse a camisa e jurasse amor eterno ao bairro. Mas o ponto desse post não é bem esse.
O fato é que após quase um mês na Cidade Maravilhosa, tive, vejam só, minha experiência mais carioca no bairro que é, em minha opinião, o menos carioca, a Barra da Tijuca. Tudo na Barra é diferente do resto do Rio. Na Barra não tem esquina – muito menos com lojinha de sucos -, na Barra não tem gente andando pelas ruas noite e dia, alias, raros são os pontos em que se encontra gente andando pelas ruas, mas também pudera, não há nada que se ver nelas. As ruas são pros carros e as calçadas, quando existem não são atraentes, não tem vitrines nem qualquer outro atrativo ao pedestre. Entretanto, dou a mão à palmatória, lá no iniciozinho do bairro, na região mais antiga, onde os prédios são baixinhos e o tal planejamento urbano do meu colega Lucio não faz parte da paisagem, lá ainda se encontra um pedacinho de vida urbana, lá tem feira livre de verdade com feirante gritando o preço das frutas, dizendo que a manga tá docinha e negociando o preço do morango orgânico. Nessa feira tem também artista vendendo pintura à óleo e barraquinhas de artesanato. Lá eu tomei caldo de cana com pastel de vento, ops, de queijo e comprei biscoitinhos sortidos, daqueles que se vende a granel. Comprei também morangos orgânicos docinhos a um precinho camarada. E como eu cheguei lá? Assim por acaso, caminhando na praia quando avistei um movimento na praça e resolvi atravessar a rua. Incrível, né? Sem carro! Onde se vai sem carro na Barra? O mercadinho dentro do condomínio – sim, a grande Barra da Tijuca é casa da famosa falsa vida urbana, aquela que cria micro cidades dentro dos limites das grades dos condomínios, que só se atravessa, após identificar-se nas guaritas de segurança, muitas vezes construídas em ruas públicas, vê se pode!? Mas hoje não vou falar mal da Barra, porque como disse, foi lá que tive até então a experiência mais carioca dessas férias na minha Cidade Maravilhosa.

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