adaptando

Morar do outro lado do mundo tem seus inconvenientes, o fuso é um dos principais. Além de levar uma vida (e 3 aviões) pra chegarmos ao Rio, ainda leva um tempão pra entrarmos na hora local, ainda mais tendo um molequinho e um bebezuco, pros quais a adaptação é ainda um pouco mais complicada.
Mas antes a adaptação se restringisse apenas ao fuso.
Morando tanto tempo fora, perdemos um pouco do traquejo brasileiro, das manhas cariocas e leva bem umas duas ou três  (ou quarto ou cinco) semanas pra nos enquadrarmos no esquema.  Seja com relação à falta de segurança (que muito embora esteja aparentemente menor, não me deixa sentir completamente à vontade, despreocupada), às calçadas esburacadas (e não estou nem falando da zona norte) ou das placas que anunciam “operação asfalto liso” – como assim, cara-pálida?? Precisa de uma operação?? A obrigação do asfalto não é ser liso??. Mas isso deve ser minha percepção besta de quem saiu do Brasil há quase 8 anos. Deve ser também por causa dessa minha percepção besta que eu fiquei indignada com a aborrecente que acompanhada do pai no cinema, furou, na cara dura, a fila da pipoca, passando a nossa frente sem necessidade nenhuma e sendo endossada pelo pai, que no mínimo deve ter ficado muito orgulhoso da esperteza da criatura. Gente, não estou generalizando, claro que o Brasil não é composto somente por furadores de filas, e óbvio que assim como eu, meu marido, nossas famílias e a maioria dos nossos amigos, tem muita gente educada, que não vive esperando uma oportunidade pra “se dar bem” às custas do outro, mas furar a fila e não levar um puxão de orelha do pai não é bem a cena que a gente vê na Austrália. Mas enfim, o problema devo ser eu e meu jeito besta de ser, né? Seja lá como for, aprecio muito viver num país civilizado e torço pra que um dia o Brasil se classifique como tal, mas por enquanto ainda vejo muita falta de educação e de respeito nas ruas, nos shoppings, nas estradas… é um querendo passar por cima do outro, figurada e literalmente.  Noutro dia, num pedágio no meio do caminho, o sujeitinho que dirigia o carro que estava na nossa frente, queira entregar um lixo pra cobradora do pedágio e ela, gentilmente apontou a lixeira, um pouco antes da cabine. Sabe o que ele fez? Passou o lixo pra amiguinha do banco de trás e deu uma rezinha, a bonitona abriu a janela e arremessou o primeiro copo. Errou. Atirou o segundo juntamente com a garrafa, errou novamente. Sabem o que eles fizeram? Fecharam as janelas e partiram, deixando o lixo pra ser catado pelo encarregado de esvaziar as lixeiras, porque gentinha desse naipe acha que jogar lixo no chão dá emprego pra gari. Isso me tira do sério, me deixa fervendo. E cada vez que eu vejo atitudes desrespeitosas com o outro ou com o ambiente compartilhado, ao mesmo tempo que eu fico irritadíssima, eu agradeço a Deus por não ter que me deparar com essas atitudes no meu dia-a-dia.
Mas não vou ficar aqui só falando mal do meu país não, tampouco da minha cidade, que eu tanto adoro, porque apesar de tudo tenho orgulho de ser carioca da gema, de ter sido nascida e criada aqui, de ter desfrutado intensamente de tudo de bom que o Rio tem a oferecer e de ainda assim saber discernir racionalmente o que é bom e o que é ruim na Cidade Maravilhosa, que é maravilhosa sim, mas está bem longe de ser perfeita – e que cidade o é?
O bom de estar aqui é que por mais que haja um pergaminho de coisas que podem e devem melhorar, o Rio é dono de uma descontração sem igual, de um calor gostoso, de um clima, um estilo de vida fantástico e isso é pra poucas cidades. Aqui você pode no mesmo dia, dar uma volta na floresta, tomar banho de cachoeira, almoçar na lagoa e ver o sol se pondo na praia. Aqui você pode passar o dia de biquíni e havaianas que ninguém te olha torto. Aliás, até nos restaurantes mais caros, você não precisa colocar a beca e ainda assim, a magia carioca acontece e ninguém fica mal vestido. Os homens usam jeans e t-shirt, as meninas não abusam da maquiagem e ainda assim estão um arraso. São os ares cariocas, só pode!
Sempre que chego aqui, chego com um ar meio gringo, umas roupas um pouco fora do contexto, mas não demora muito e adapto ao clima e permito minha essência aflorar. O problema é na volta pra casa…

Meuxxx amigoxxxx paulixxxxtas, mineiroxxx e manezinhoxxx que me dexxxxculpem, mas tô chiando maixxx do que radio fora de exxxxxtação 😉

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