O último post no The Jump – será?

Sobre os últimos dias e a hora do adeus (ou do até breve, do vou ali e volto já).

Os últimos dias não foram fáceis. Estresse nível máximo, correria, coisas dando errado, a tristezinha que vez por outra batia na alma à cada abraço de despedida, a ansiedade gigante, a exaustão completa.

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Disso tudo, a pior parte foi assistir, sem poder fazer nada, o estresse/tristeza das crianças, por estarem deixando a única vida que conheceram para trás, porque, muito embora eles estivessem acostumados a passar temporadas fora, eles sempre souberam que era só por um tempinho, sabiam que sempre voltavam para casa, a casa que agora não existe mais, a casa que entregamos vazia, ficando com um vazio também dentro da gente. Difícil, viu.

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Desde que o ano começou, iniciamos um processo insconsciente de nos afastar dos amigos, talvez uma auto-defesa do nosso subconsciente que nos fez desligar cada vez mais dos círculos de amizade tão presentes nesses 7 anos de Austrália. E foi até bom, porque começamos a fazer mais coisas nós 4, criamos rotinas nossas como jogos em família ou o cinema de toda sexta-feira. Aos poucos fomos ficando mais auto-suficientes, suprindo nós mesmos nossa carência afetiva, interagindo mais e mais internamente, já nos preparando para o período de escassez de amigos que vamos encarar em nossa chegada na Coréia. Só que, no final, aos 45 do segundo tempo, o tiro saiu pela culatra.

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Às vésperas de entregarmos a casa, mais precisamente, duas noites antes (quatro antes de embarcarmos) nos mudamos para a casa dos nossos amigos e vizinhos, também cariocas, que têm 2 filhos da mesma idade dos nossos, ou seja, todo aquele trabalho de desapego foi por água abaixo 😦  e agora estamos aqui com o coração despedaçado e um vazio na alma. Despedidas são sempre dolorosas, não adianta…

Mas, voltando aos últimos dias, a lei de Murphy imperou e tivemos contratempos não só na entrega da casa como também com o carro – isso pra não falar dos médicos e dentistas de última hora (Nickito me apareceu com uma bolha estranha acima do dentinho amolecido, mas pelo diagnóstico da dentista, não precisamos nos preocupar, porque quando o dente cair, a bolha será drenada. Assim espero).

Eu tive a tal transfusão de ferro e o marido descobriu que a tireóide está alterada novamente. Também pudera! Com esse tanto de estresse que estamos passando, nãohá autoimune que fique mansa.

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Com relação à casa, quando finalmente, após muito limpar, esfregar, retocar, finalizamos e entregamos as chaves, a agente nos deu um retorno, dizendo que o filtro do exaustor havia sumido (oi?), as caixas de foxtel haviam desaparecido (hein?) e algumas luzes estavam queimadas (aham). Pra não dizer que foi só viagem da bonitona, ela deu uma reclamada da cola na parede do quarto dos meninos. Verdade. Apesar de termos lavado a parede, ficou, sim, um resquício da cola do adesivo vinílico, que na hora não enxergamos, mas quando a parede secou, estava bem nítido. Fuém fuém fuém. Lá fomos nós fazer a limpeza final – e tome de esfregar parede novamente, em pleno sábado, horas antes de embarcarmos.

Para as outras reclamações, fizemos videozinhos, mostrando que eram pura viagem. Mas vou te contar que só de ter que lidar com essas coisas depois ter entregue as chaves é um estresse extra 😦

Quanto ao carro, vendemos uma semana antes, para um amigo que ficou de pegar hoje, dia do nosso embarque. E adivinha o que aconteceu? Uma escada que estávamos transportando no carro, bateu no gancho do porta-malas e deslocou o tal do gancho, ou seja, não conseguíamos mais fechar a dita-cuja. E agora, José? Após termos passado bem uns 20 minutos tentando arrumar, jogamos a toalha, saímos atrás de uma oficina mecânica aberta e, por pura sorte, encontramos uma-única-singular, um centro de reparos de carros batidos, desses que fazem lanternagem, onde, no desespero, paramos para tentar a sorte. Graças a Deus, nossa sorte virou e o cara que mais parecia o Incrível Hulk (e devia ser o dono da loja), veio olhar e em meio minuto, resolveu o problema, nos deixando com cara de trouxa. Agradecemos e partimos.

Pra fechar o dia e encerrar nossos 7 anos de Austrália, um churrasquinho na casa dos amigos que nos deram teto nesses últimos dias. Só pra gente ficar com o coração ainda mais apertado, ainda mais despedaçado. Eh… são tantas pessoas que ficarão com um pedaço dos nossos corações…

Essa vida cigana nos oferece muitas coisas boas, mas também nos faz viver perdas irreparáveis, tirando do nosso dia a dia amigos queridos.

Bem, aqui vamos nós novamente. Desta vez para terras realmente estrangeiras, onde a cultura, a comida, o alfabeto, os costumes, a língua… tudo é diferente. Mas, hoje, diferentemente de quando deixamos os Estados Unidos, alguma coisa me diz que a gente volta. Vai saber? Só o tempo dirá.

Enquanto isso, se quiser acompanhar Minha Vida Coreana, é só vir por AQUI 🙂

As we speak

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Enquanto eu escrevo este breve post, os caras da mudança estão aqui no lerê lerê desde as 7:30 da matina. Bem, no lerê lerê aussie style, né? Meia hora de pausa a cada 2 de trabalho, rs

É impressionante o número de caixas. Tô de queixo caído com as pilhas que se formaram no andar de baixo – e olha que mais da metade das nossas coisas foram/estão sendo doadas ou vendidas.

Um dos caras acabou de subir para começar a empacotar o andar de cima e arregalou os olhos quando viu a quantidade de brinquedo (isso porque ele não sabe que os baús do quarto estão lotados).

A cada 6 meses, dou uma revisada nos brinquedos e saio distribuindo entre os amigos que têm filhos mais novos ou então mando pro Salvation Army, mas ainda assim é obscena a quantidade. Minha preocupação atual é: será que teremos espaço suficiente no apErtamento novo para guardar/acomodar tudo o que estamos levando?

(já contei que no apartamento novo não há armário em nenhum dos quartos???)

Parece que levei um soco no estômago, tamanha é a dor. Gente, peloamor, me explica de quem foi a ideia infeliz de tirar férias em Bali na reta final da mudança, hein, hein, hein?!??! Tá, foram dez dias relaxantes, eu tava precisando, mas agora perdi 10 dias e estou surtando com o tanto de coisas que temos para resolver até o dia 28.

(já falei que temos um carro para vender? e que precisamos dele até nosso penúltimo dia aqui? e que só poderemos colocar para vender depois que fizermos a revisão que está marcada para sexta?)

E no meio de tantos afazeres relacionados à mudança, ainda tenho aqueles compromissos médicos báaaasicos.

Respira, Erica, senão pira.


Atualização do fim do dia:

Estava eu fazendo o almoço, quando os caras da mudança aparecem na cozinha se despedindo.

O cara: É isso por hoje!

eu (com uma mistura de cara de tacho e interrogação): oi?

cara: terminamos por hoje.

eu: como assim?

cara: a mudança é feita em 2 dias, não te avisaram?

eu (ainda em choque): não

cara (também chocado): amanhã a gente volta para finalizar. Falta apenas o master bedroom e a mesa de jantar… às 7 da manhã estaremos aqui.

eu: okay… o que é é, né? (ainda com cara de tacho)

E partiram.

Confesso que fiquei um pouco aborrecida. Como assim, levar dois dias para empacotar a mudança? E, pior, não avisar!

Liguei pro marido ainda meio abalada e contei a novidade, ele, como eu, também surpreendeu-se, até que… resolveu checar o email da companhia de mudança.

Aham, se você conhece o Mauricinho, já sabe o que aconteceu, não é mesmo? 🙂 Ele, fazendo leitura dinâmica, deixou passar a parte super importante que ressaltava que a mudança seria feita em 2 dias. Sim, obviamente, eles avisaram, mas tivemos um probleminha de falta de atenção aos detalhes, que nem em letra miúda estavam. Ah, este meu marido… rsrsr

Enfim, amanhã eles estarão aqui novamente para finalizar o empacotamento, load o container e levar para o porto. Se Deus quiser, na sexta, nosso container parte para a Coréia, onde deverá chegar em 20 dias. Ou seja, se tudo der certinho, em um mês teremos acesso aos nossos pertences.

Mas e até lá, Erica, como vocês vão fazer? Sabe que eu não sei… 😛

Ah! O caminhãozinho da foto não era nosso container afinal  – ufa!

De volta à casa – mas não por muito tempo

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Chegamos! Mas daqui a duas semanas estamos partindo novamente, desta vez, de vez (e o frio na barriga toma conta da pessoa).

Nossas férias foram uma delícia, tão boas que, confesso, ainda não estava preparada para voltar. Poderia ter adicionado, sem medo, mais uma semaninha, maaaaaas… o tempo urge e já passou da hora de darmos um gás sério nesta mudança.

Agora o bicho vai pegar, a cobra vai fumar, os macacos vão morder e a gente não vai ter tempo para respirar. 

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Além de deixar tudo pronto para o dia da mudança (daqui a 6 dias), tenho que ir a dois médico, mercar uma transfusão de ferritina, mandar fazer meus óculos para leitura (tô precisando terminar de ler um livro, mas meus olhos não me permitem), vender o carro (e todo o resto das coisas que não iremos levar), doar o que tem que ser doado, arrumar os furinhos nas paredes da casa (dos quadros que eu pendurei e que não podia ter pendurado), contratar alguém para cuidar da grama, da limpeza dos carpetes e das persianas da casa toda, comprar ternos novos para o marido, registrar um novo endereço nos correios para encaminhar o mail, agendar a desconexão da luz, gás, água, internet… entre outras coisas da minha infinita to do list.

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Ainda tenho esperança de conseguir, aos 45 do segundo tempo, ir ao salão me livrar do bali Hair (que na foto looks good, mas tá com uma textura péssima e um grau de ressacamento pavoroso). 

Dia 30 partimos (e o frio na barriga toma conta da pessoa).

Boa sorte pra mim!

Os últimos dias: Bali belly (será?)

p1060883Nossos últimos dias foram na Villa. Não teve passeio, não teve praia. Passei tanto, mas tanto mal… Após nossa aventura culinária, minha barriga inchou de tal maneira que mais parecia que eu estava grávida de 4 meses. E não estou exagerando. Barriga grande, esticada, parecia um tambor. Algo de muito errado estava acontecendo aqui dentro. Visitei Mr. Toilet durante a madrugada e ficamos bem amigos. Na manhã seguinte estava melhor, a barriga voltou ao normal, mas depois das conversas da madrugada com Mr. T, eu não quis arriscar sair de casa por muito tempo e acabamos só saindo para almoçar e dar uma voltinha por perto mesmo. Aliás, pela primeira vez, voltamos para casa à pé (do almoço na avenida principal em Sanur), 25 minutinhos de caminhada totalmente entre os locais, caminhando pelas ruas sem calçadas, passando pelas casas e comércio locais (cada birosquinha digna de cidadezinha do interior do nordeste), sentindo o cheiro da comida de rua e até, dando de cara com um rato grande e cinzento que passeava entre o lixo acumulado na valeta de escoamento de águas pluviais. Sim, a valeta é aberta. Sim, ela ocupa 70% do que seria a calçada. Não, a área não é uma favela e conta, inclusive, com várias Villas ao longo do caminho. Vai entender?

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Anyway, meu mal estar passou, né? Não, não passou, só deu uma pausa. A noite chegou e minha barriga voltou a inchar. Dessa vez, parecia uma barriga de 5 meses. O estômago doía muito, uma dor desesperadora na boca do estômago que emendava com um enjôo horrível que atribuí à sobremesa do almoço já que só de lembrar dela ou pensar em doce, me dava vontade de vomitar. Mas não vomitei e talvez tenha sido este o maior problema. Na verdade é muito difícil eu vomitar. Às vezes fico com um enjôo mortal, mas não vomito. Durante minhas duas gestações, fiquei super enjoada nos primeiros meses, mas nunca vomitei. Tenho verdadeiro pavor de vomitar.

Anyway, fiquei mal. Tão mal que fui dormir cedo. Entrei no quarto, liguei o ar, me encolhi na cama e só acordei hoje de manhã.

Acordei cansada, ainda com dor no estômago e enjoada. Não tomei café da manhã, não almocei. Só dormi (mentira, também troquei uma ideia com Mr. T). Já no meio da tarde, levantei da cama me sentindo melhorzinha, ainda com dor, mas melhorzinha. Água ainda me enjoava, então fiquei na água de côco.

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O estranho é que só eu passei mal. Outra coisa curiosa é que o mal veio em doses homeopáticas, um pouco num dia, outro pouco no outro (I wonder como estarei amanhã). Meu maior medo é que isso não passe e eu me sinta mal no vôo de volta. Oremos.

Para me despedir de Bali, fiz minha última massagem (que aliás, super recomendo!) e para encerrar nosso último dia, saímos para jantar – sim, eu ainda estou mal, mas tô tão fraca que precisei sair para comer. 

Hoje preferimos ir a um restaurante western, normalzinho, um italiano bem gostosinho, generoso (geralmente as porções, aqui em Bali, são pequenas. Lá não.), ambiente super agradável, com música ao vivo e muito, muito, muito barato. Concluímos que só pode ser lavagem de dinheiro 😛 Para ter uma ideia, de entrada, trazem pães variados, azeite, balsâmico e bruschettas for free! Doido, né?

Apesar da minha beringela estar divina, não consegui comer nem a metade, infelizmente. Odeio não conseguir comer, rs

Voltamos para casa para pegar nossa bagagem e partir pro aeroporto. As férias acabaram 😦

Pegaremos o avião à meia-noite para chegar pela manhã em Melbourne. Tô com um misto de tristeza e frio na barriga só de pensar o que nos aguarda. A correria da mudança, tudo o que temos que fazer ainda. É tanta coisa, que eu fico até tonta. Sabia que nem o visto para a Coréia tiramos ainda? Pois é. Vamos do aeroporto direto pro consulado, rezando para que tudo dê certo e nosso visto chegue em tempo. 

Por que deixamos isso pra cima da hora? Ah, porque a gente gosta de viver com emoção. Mentira, claro, rs, O cara do consulado disse que o visto ficaria pronto em uma semana e disse para irmos lá quando voltássemos de viagem, até porque, eles teriam que ficar com nossos passaportes. Ou seja, Oremos.

Em tempo: Nickito teve the time of his life. Pinto no lixo total, foi o que mais curtiu a casa. Acho que o banheiro da casa nunca foi tão bem utilizado. Nick saía da brincadeira na piscina e ia pro relaxamento na banheira. Saía da banheira e ia pro banho no chuveiro – sempre cantando – e, intercalando com brincadeiras de espionagem, repetia todo o processo novamente. Como é gostoso ter 5 anos!

Oitavo dia de férias: aula de culinária tradicional balinesa (outro post gigante)

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O que dizer deste dia? Perfeito! Bom, pelo menos eu achei 🙂

Não curto muito fazer passeios guiados, geralmente evito ao máximo qualquer coisa que seja muito turistona, mas vez por outra faço exceções e esta foi uma delas. E, ó, arrependimento zero. 

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Procurando por atividades interessantes em Bali, encontrei o Voyagin, um site que reúne atrações para os mais diversos gostos. Quando bati os olhos nesta cooking class, super bem avaliada, não pensei duas vezes (mentira, pensei sim, rs), reservei nossos spots. Várias foram minhas motivações para marcar esta aula de culinária tradicional balinesa, uma delas foi o fato do Nick adorar cozinhar; outra foi eu ter amado a culinária local e querer aprender  as técnicas de preparo locais; além disso, queria também vivenciar uma Bali não turística, uma Bali dos locais. Queria saber mais sobre a cultura, sobre as tradições, sobre o estilo de vida balinês e, acredite, a culinária diz muito sobre os costumes de um povo. Estar inserido no ambiente deles, no dia a dia deles, então, é um mergulho de cabeça na realidade por trás dos sorrisos largos e do Singlês falado até pelos mais humildes.

E lá fomos nós!

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Acordamos cedo, tomamos café da manhã e partimos rumo a Sidemen, uma cidadezinha no interior da ilha, cercada por fazendas com suas plantações de arroz, onde a população é exclusivamente local. Você não vê um turista pelas ruas, vê, sim, criancinhas muito pequenininhas andando sozinhas de mãozinhas dadas e olhinhos que se arregalam curiosos ao ver um turista.

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Nossa primeira parada foi o mercado popular. Que experiência! Os únicos não locais éramos nós, então, obviamente, todos os olhares nos seguiam. Os meninos foram só sucesso e roubaram muitos sorrisos e olhares encantados 🙂 

O mercado ficava dentro de um galpão e era bem grande, com seções diversas, incluindo uma área de artigos religiosos, com cestos, pedestais, flores, muitas flores, incenso e mulheres fazendo cestinhos de folha de coqueiro. Segundo nosso host nos contou, bandejas/cestos tecidos por homens não têm valor espiritual, porque homens não tem as qualidades necessárias, a pureza de coração para produzir artigos para as oferendas, por isso só se vê mulheres fazendo este trabalho.

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Aqui na Indonésia, eles fazem oferendas todos os dias, duas vezes, pela manhã, para pedir proteção e no fim do dia para agradecer. O interessante é que eles fazem oferendas não só para os deuses, como também para o demônio.  De acordo com nosso host, eles fazem desta maneira para atingir o equilíbrio: “Se Deus fica feliz e o demônio fica feliz, as pessoas ficam protegidas e felizes.” Curioso mesmo é que vimos muito, mas muito mais oferendas para o demônio do que para Deus. Acho que o povo, no dia a dia, se preocupa mais em manter o demônio satisfeito, assim Deus não precisa trabalhar muito para protegê-los 🙂 Mas por que eu acho que as oferendas para o demônio são em número maior? Bem, as oferendas para o coisa ruim são aquelas que estão no chão. Aquelas para Deus (ou deuses) estão sempre em altares. Sem dúvida nenhuma, vi muito mais oferendas no chão do que no alto. Mas pode ser que os altares se concentrem dentro das casas/lojas… Anyway, o que eu sei é que é muita dedicação, o povo balinês (não posso falar pelo resto da Indonésia) é extremamente religioso.

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Outra coisa que achei bem interessante é que as oferendas maiores, feitas nas cerimônias, fazem muito mais sentido do que o formato Afro-Brasileiro (os despachos?). Bom, eu não sou entendedora do assunto e muito pouco sei sobre umbanda, candomblé e afins, mas do pouco que sei, quando se faz uma oferenda, com frutas, farofa, galinha… ninguém pode comer, certo? Pois bem, em Bali, eles preparam uma oferta linda, cheia de frutas e flores, levam para a cerimônia, onde são abençoadas e depois levam de volta para casa, onde compartilham com a família. Achei mais bonito o conceito 🙂 

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Bali é uma ilha bem pobre e o turismo tem uma importância enorme na vida das pessoas. Por exemplo, a quantidade de massagistas é insana. Na praia, nas ruas, a cada 10 passos tem uma portinha, algumas simples, outras mais arrumadinhas, oferecendo o serviço a um preço inacreditavelmente baixo. Baixo para nós, claro. Para eles, cada hora de massagem em que ganham 7 dólares é uma vitória, motivo para celebrar. É por essas e outras que eu aconselho, se for à Bali, não deixe de dar gorjeta. O que para você é migalha, para eles é muita coisa, faz uma diferença enorme no orçamento da família. Mas não pense você que é necessário dar gorjeta para ter um atendimento de primeira com um sorriso no rosto, não, tá? O povo balinês é lindo e cortez, com ou sem gorjeta. Claro que, com gorjeta eles voltam mais felizes para casa 🙂

Mas eu que estava falando do meu passeio, acabei dando outro rumo para essa prosa. Foca, Erica, senão você não termina hoje 😛

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Pois bem, após o mercado, fizemos uma pequena parada na family house do nosso host, onde tivemos mais uma aulinha express sobre a cultura local. Aprendemos, por exemplo sobre a estrutura de da family house tradicional. Nem todas as famílias tem uma family house, até porque, como contei, a região é muito pobre. Esta que visitamos contava com a casa principal, dedicada aos mais velhos (“fundadores” da propriedade), uma casa para os recém casados, uma para as visitas, uma para quem, de fato, habita a propriedade no dia-a-dia e um templo – bem que eu suspeitei que os infinitos templos que vimos por aí não poderiam ser todos abertos ao público. Além disso, notamos que bem no centro da propriedade enfileiravam-se alguns cestos de palha, de cabe;ca para baixo, onde ficavam galos – de briga, imaginei. E de fato eram. Mas por quê? Seria uma atividade de lazer? Nananinanão. Na verdade, a briga de galos faz parte de algumas cerimônias, quando é necessário oferecer sangue fresco ao demônio, então, em vez de simplesmente matar um animal, eles os colocam para brigar e o perdedor entra como parte da oferenda. Bizarro, né? 

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Após uma breve parada na family house, pegamos o caminho da roça, literalmente 🙂 Nos embrenhamos pelas plantações de arroz que estavam meio alagadas por conta da chuva da noite anterior. Naquele momento, agradeci a presença de espírito que não me deixou calçar Melissas, rs. Vivi, entretanto, com seu tênis novo, não curtiu muito o estado em que ficaram no final do dia. Isso porque ele não atolou o pé na lama tantas vezes quanto o pobre Nickito que, metido, fez questão de ser o líder da caminhada e tomou logo a dianteira.

A caminhada foi até bem agradável, apesar do terreno desnivelado e do cuidado para não torcer o tornozelo, rs. A vista era mesmo linda, mas não muito diferente da que temos em diversas partes do Brasil, inclusive no interior do Rio. O campo verde, as plantações com montanhas ao fundo… poderia caminhar o dia inteiro com essa paisagem. Maaas, estávamos ali com o propósito de colher os ingredientes para nossa aula de culinária. Foi o que fizemos 🙂 

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Havia conosco, outra família, vinda de uma cidadela de 2 mil habitantes na Austrália. Claro que nunca ouvimos falar da cidadela, nem mesmo da  cidade “grande” mais próxima, Orange, mas foi bem interessante  me dar conta de que nem só de Melbourne e Sydney vive uma Austrália e que, na verdade, há muito mais cidadelas do que cidades grandes, o que parece óbvio, mas a gente só se dá conta quando encontra pessoas desses lugares. O mais interessante é que, ao contrário do Brasil, pessoas que vivem nas cidadelas viajam o mundo, ou seja, morar num vilarejo  definitivamente não significa viver limitado ao vilarejo. Pelo menos na terra do canguru – mas isso não chega a ser novidade. Que outro povo tira, às vezes, dois anos de licença para viajar o mundo? Aqui em Melbourne, o eletricista que de vez em quando vem aqui em casa, já me contou de altas viagens. Ele, inclusive, conhece mais do Brasil do que eu!

E lá estou eu mudando novamente o rumo desta prosa.

Anyway, vamos ao finalmente. 

A aula de culinária em si foi bem educativa. Além de prepararmos tudo utilizando métodos tradicionais (para não dizer primitivos, rs), sem utilizar gás nem eletricidade, aprendemos que em Bali, as pessoas não tem o costume de guardar coisas na geladeira. O que prepara-se hoje, come-se hoje. Nem mesmo os temperos são preparados aos montes. Tudo na medida certa, até porque, as oferendas também são frescas.

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Preparamos o Base Gede, que nada mais é do que uma mistura básica de temperos, nos moldes tradicionais num pilão de pedra. Aprendemos uma forma diferente de fazer molho de tomate, onde, primeiro você ferve os ingredientes para só então moer, misturar e refogar. Muito interessante. aprendemos também a fazer leite de coco e óleo de coco. Pirei! 🙂

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Aliás, pirei também com a sopa de jaca (pai, mãe, tomei sopa de jaca!!!). Vocês não tem noção, eu ODEIO jaca! Mas descobri que ela verde, além de não ter aquele cheiro que eu acho horroroso, é muito saborosa. Também nunca havia comido mamão verde refogado. Mamão verde para mim era para fazer doce e só, mas estava errada. Muito bom!

A aula toda foi só sucesso (pelo menos para mim, rs), aprendi muito coisa, inclusive sobre o quão fundamental é o coco na culinária local. Eles só cozinham com óleo de coco, açúcar de coco, leite de coco. Usam coco ralado no preparo da comida e pra finalizar redondinho, utilizam a casca do coco no fogão à lenha (ou deveria dizer fogão à casca de coco?), porque além de dar um gosto especial aos grelhados, produz menos cinzas. 

Outra característica da culinária tradicional balinesa é que eles utilizam como base o que tem disponível no dia e evitam ao máximo o desperdício. Se tem mamão verde, usam mamão verde, se o que tem é jaca verde, usam jaca verde. Não tem porco hoje? Vai de peixe. E por aí vai.

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Nickito ficou um grande fã do chazinho de gengibre com capim limão que nos foi servido logo na chegada. Tão fã que pediu mais. Já da comida não gostou muito. Além da mistura de temperos ser bem diferente, era também bastante apimentada, ou seja, nem o Nickito nem o Vivi gostaram muito.

Ao final, junto com a sobremesa (arroz preto doce) tomamos um chazinho de roséola, que não é o mais delicioso, mas aparentemente auxilia no emagrecimento, rs e deve ser tomado junto às refeições. Fica a dica 😉

Saí de lá me sentindo tão conhecedora da cultura balinesa rsrsr

Em tempo: Nickito que estava empolgadíssimo se decepcionou – de fato, não era uma atração para crianças pequenas. As facas eram extremamente afiadas, o ambiente era bem rústico e o chef, apesar de falar inglês, tinha um sotaque muito forte, tão forte, que muitas vezes nem nós entendíamos bem.

PS. Uma vez, há muitos e muitos anos, quando eu ainda estava na faculdade, um amigo da família levou um jovem casal de australianos lá no sítio dos meus pais. Eles queriam ter uma experiência no mato, na mata, na natureza… Pois bem, meu pai os levou para andar por dentro do sítio, pelo bananal, pela mata, por lugares que eu mesma nunca andei. O casal voltou da andança com as canelas coçando por causa de urtigas pelo caminho, mas com um largo sorriso no rosto. Eu, vendo a felicidade deles, não entendi nada! Como assim? Felizes porque andaram pelo meio do mato? Gente doida! hahaha.  Mal sabia eu que meu pai, levando os gringos para um programa de índio estava à frente do seu tempo, hahaha

Se me dissessem, naquele dia, que dali a uns 15 anos, eu iria estar em Bali, andando pela plantação de arroz e colhendo minhas próprias verduras para fazer meu próprio almoço num fogão à lenha, ops, à casca de coco (e pior, que eu teria pago por isso, por essa experiência), eu teria dado uma baita gargalhada. Impossível. Aham, impossível… 

E não é que mais uma vez mordi minha língua? Não só paguei pela experiência, como adorei (virei gringa, I guess) e já estou bolando uma atração para gringo lá no sítio, com direito à aula de Pilates na natureza. Quem viver verá 🙂

Sétimo dia de férias: Templo no penhasco, mais macacos ladrões e praia linda de viver

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(Tô chocada – e feliz – com a falta de precisão da previsão do tempo que dizia que teríamos chuvas e trovoadas todos os dias das nossas férias. Até agora, tivemos sol todos os dias. Quando muito, uma chuvarada na madrugada, but that was all. Bali, te juro meu amor eterno!)

Hoje fomos visitar o Templo em Uluwatu. Que coisa mais linda, gente! O lugar que escolheram para a construção é deslumbrante: um penhasco beirando o mar, cenário de filme.

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O detalhe é que ainda na entrada do templo, fomos “saudados” por macacos que, assim como na Floresta do outro dia, andam livres, leves e soltos. Eu, mais uma vez, tinha meus óculos na cabeça, muito embora houvesse um cartaz na entrada avisando para ficar ligado e retirar óculos, bijuterias, etc… O que aconteceu? Foi roubada novamente. Furtada no melhor estilo mão leve. Mão não, corpo inteiro, porque a verdade é que o danado subiu em mim e eu nem percebi! Só fui me dar conta, um segundo depois, quando ele já estava no chão com meus óculos nas mãos.

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Ficou pertinho de mim, olhando bem pra minha cara, como quem pergunta: “e aí, vai tentar resgatar?”. Eu como não sou maluca, não cheguei perto, afinal, por muito menos, noutro dia um “rosnou pra mim”. Para minha sorte (impressionante, tenho certeza que se fosse um par de óculos caros, eu já teria perdido há muito tempo, mas como são baratex, eles sempre voltam pra mim, rsrsr) um dos funcionários do Templo, viu a artimanha do macaco e, preparado para barganhar, jogou um saquinho com bananas para tentar um escambo. Fracasso total! Foi um daqueles momentos que precisava ter sido filmado: o macaco, segurando os óculos com uma das mãos, pegou o pacotinho com a outra, olhou, comparou e jogou as bananas longe. Preferiu ficar com meus óculos. O funcionário, no entanto, não se rendeu, e numa cartada final, arriscou tudo e jogou um pacote de amendoins de chocolate. O macaco não pensou duas vezes, jogou meus óculos fora (claro que ele já havia dado umas boas mordidas, pra ver se era comestível), agarrou o pacotinho e saiu pulando, só que para o azar dele, o rapaz conseguiu pegar de volta e o macaco saiu com o rabo entre as pernas, rs

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Mas voltando ao Templo…  vale muito a pena a visita. O espaço em volta é muito bonito, o Templo em si é lindo e a vista é deslumbrante. Fiquei com vontade de voltar no fim do dia para ver o pôr do sol, mas nosso motorista hoje não era muito paciente, ficava perguntando a todo momento “de volta para a Villa?”. Um saco.

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Depois de passearmos bastante pelo Templo, fomos à Padang Padang, uma praia de arrancar suspiros. Pequenininha, águas azuis, mornas e calmas (marola na medida certa). De quebra, ainda oferecia, o fundo, ondas para os surfistas 🙂

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Uma coisa muito engraçada é que sempre que dizemos pros meninos que vamos à praia, o Nick é o que mais reclama. Ele sempre protesta, chora, diz que odeia praia e no fim das contas é o que mais se diverte! Adora ficar no mar e também brincar na areia. Acho que só reclama pelo gosto de reclamar, rs Mas eu nem ligo, já aprendi a fazer ouvido de mercador.

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Pois bem, após algumas horas de praia, já estávamos quase comendo areia de tanta fome, então por mais que meu desejo fosse ficar em Padang Padang até o pôr do sol, levantamos acampamento e fomos almoçar. Mias uma vez, meu amigo Foursquare (nunca saio de casa sem ele, rs) nos salvou, dando a melhor dica: Balique, um restaurante indonésio maravilhoso. Decoração top, musiquinha ambiente, espaçoso porém aconchegante e comida dos deuses. Ah, o banheiro também era uma graça 🙂 O detalhe é que eu nunca vou ao banheiro fora de casa, mas o marido aconselhou fortemente a visita, então lá fui eu. Pena que a bateria do celular acabou na segunda foto 😦

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Foi no Balique que experimentei a melhor comida indonésia. A melhor e mais bonita, daquelas que se come primeiro com os olhos, sabe? Me apaixonei e já estou desejando voltar. O prato era, na verdade, um apanhado de vários pratos. Tanta comida que mal consegui terminar o prato.

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Encerramos o dia, com uma passadinha em Seminyak (só pra contasr). Nada demais. Aliás, não fomos e nem pretendemos ir à Kuta, onde as praias são sujas, dizem, e a área lotada de turistas e backpackers. Definitivamente, não vim à Bali para ver australiano, rs, prefiro tentar ir a locais mais tranquilos, onde eu possa observar mais o comportamento local.

Em tempo: Acho que a única coisa que tem me chateado aqui em Bali é que a água de coco é sempre em temperatura ambiente. Ainda não conseguir tomar uma geladinha 😦 Ah, e também não é doce como no Brasil. Mas reclamar de quê, não é mesmo? Tô em Bali 🙂

Quinto dia de férias: Ubud (senta que o post é longo)

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Ubud é uma cidadezinha nas montanhas, cercada de plantações de arroz e florestas tropicais, uma gracinha. 

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Bem, a cidade em si consiste basicamente de uma rua longa e estreita, de mão única, onde, nesta época do ano, os carros e motos (gente, é muita moto aqui em Bali) andam tão rápido quanto as pessoas passeando a pé. Muitos restaurantes, infinitos spas oferecendo massagem à preço de banana e muitas lojinhas de artesanato. Mas não fomos à Ubud para fazer compras, nem massagem, nossa intenção foi visitar Tegalalang e fazer uma caminhada pela plantação de arroz, visitar os templos Pura Batuan e Elephant Cave e passear pela Floresta Sagrada dos Macacos.

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Para fazer este passeio, a melhor opção foi, sem dúvida nenhuma contratar um motorista. Ele nos buscou na Villa, nos levou em cada atração e no fim do dia nos trouxe de volta. Muito mais conveniente do que alugar um carro e dirigir pelas ruas super estreitas e sem regras – sério, não gosto nem de imaginar o que é dirigir aqui. Tenso.

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Nossa primeira parada foi no Templo Pura Batuan, onde nós quatro pegamos emprestado, cada qual, um sarong (que nada mais é do que a nossa canga) para cobrir as pernas e deixamos uma doação na porta – aqui, deixa-se doação em todo lugar. O Templo, muito bonito, mas o mais interessante para mim foi notar a gritante diferença entre a suntuosidade de um templo balinês para um templo chinês, Na China as construções são mais suntuosas, aqui parecem bem mais simples, muito bonitas, mas mais simples. O estilo é bem peculiar, bem característico e por mais que os designs sejam diferentes de um templo para outro, você consegue, sem dificuldade, agrupá-los na categoria “Templo Balinês (ou Indonésio), eu acho. 

p1060467Em seguida, fomos ao Elephant Cave, ou Templo Goa Gajah. Sua entrada foi esculpida na própria pedra da caverna. Este achei bem diferente, escuro, úmido, claustrofóbico, uma caverninha para meditação. Engraçadíssimo foi o momento em que duas meninas (com seus 20 e poucos talvez) locais pediram para tirar foto com cada um de nós. Vivi pôde experimentar a “fama”que ele tanto deseja, rs – mal sabe ele o que o aguarda na Coréia que, se for como a China, promete incomodá-lo bastante com fotos pelas ruas.

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A única coisa chata nesta parada foi que, ao saírmos do carro, veio um mar de vendedoras para nos oferecer sarongs  – “porque você precisa de sarong para entrar no Templo”. Elas começam oferecendo uma por 10 dólares e quando percebem que não vamos pagar, oferecem outro modelo mais barato e quando percebem que ainda não vamos pagar, oferecem pelo terço do preço. Sinceramente, não acho caro, mas fico incomodada em ser passada pra trás – a turista trouxa. Tenho que vencer isso. Se você pensar bem, vê que é meio que um orgulho besta, porque no fim das contas, o produto é barato para a gente, mesmo quando o preço que eles colocam é aquele para tirar vantagem. Da próxima vez, vou tentar um approach diferente para ver o que acontece: vou pagar e não vou levar, só para testar a reação 🙂

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Em Bali, reza a lenda que, há mais templos do que casas 🙂 Após você andar pelas ruas da ilha você começa a acreditar na lenda, rs Há lugares em que a cada duas casas, tem um Templo. Templos de todos os tamanhos. Uns rebuscados, outros mais simples, mas não há como negar que o povo Balinês é extremamente religioso. Se não há mais Templos do que casas, há, pelo menos, um templo para cada família – certamente, mais Templos do que sobrenomes, rs

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Estou curiosa mesmo é para assistir uma cerimônia. Ver a arquitetura dos Templos e conhecer um pouco sobre sua história é sempre interessante, mas gostaria de experimentar a cerimônia, o ritual. Vamos ver se consigo 🙂

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Na saída do Goa Gajah, não achamos nosso motorista, que deveria estar nos esperando no estacionamento. Agora, visualiza: calor, umidade, crianças que não estão acostumadas ao calor e à umidade reclamando, vendedores tentando nos vender de tudo o que você possa imaginar e nós 4 perambulando pelo estacionamento à procura do motorista. Sério, demos várias voltas, olhando para dentro de cada carro preto e não encontramos. Pra deixar mais interesante, não tínhamos o telefone dele, já que foi o gerente da Villa que contratou o serviço e além disso, ele fala/entende Singlês, que é uma versão bem simplificada do inglês, rs Anyway, ficamos bem uma meia hora, tentando encontrá-lo e, enquanto isso, esperando pelo Ketut, o gerente da villa, retornar nossa ligação. Um tanto frustrante 😦

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Mais frustante do que isso, foi ver o motorista ressurgindo das cinzas, dizendo que havia estacionado “lá atrás” (deve ter sido bem lá atrás mesmo, porque não vimos em lugar nenhum) e acabou dormindo no carro. Você pediu desculpa? Nem ele :O|

Mas tudo bem, estamos de férias, é mais fácil fazer vista grossa…

A próxima parada foi a Tegalalang, uma plantação de arroz, tipo “must see”. Linda que só, mas super para turista ver, rs A plantação é de verdade, mas o lugar é tomado por locais querendo uma doação. São crianças vendendo postais superfaturados, são adultos pedindo doações para passar pelo caminho, são outros cobrando “caro” para tirar fotos com os cestos de colheita. Aquele comércio generalizado, do qual a gente nem consegue reclamar, porque é uma miséria tão grande, que fica impossível não querer doar. Só não gosto quando nos cercam, nos seguem, me sinto acuada 😦

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Pra você ter uma ideia, primeiro pagamos a entrada da atração, depois, quando fomos acessar, um vendedor nos chamou para mostrar a vista bonita a partir da lojinha dele (de fato era) e na sequência já quis nos vender coisas. Que sentido faz comprar alguma coisa quando você está prestes a começar uma caminhada pelos morros de plantação de arroz? Mas ele insistiu, e como viu que não ia rolar, chamou uma menininha para vender postais, em tese, para arrecadar fundos para a escola. Ofereceu por 10, compramos por 3. Lá em baixo, no meio da plantação, surgiram mais meia dúzia de crianças vendendo 2 por 1 – só rindo, rs. Por mim, eu teria feito uma doação apenas, não preciso de postais, mas começo a achar que eles gostam mesmo é de sentir que enrolaram o turista, que foram espertos, que se deram bem, hahaha

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Anyway, apesar de eu preferir passeios menos turísticos, devo dizer que super recomendo este, não só pela vista linda, mas também para ver de perto como é uma plantação de arroz, aquela sobre a qual aprendemos nas aulas de geografia  no colégio 🙂

Visitada a plantação, tiradas fotos e tendo um filho de 8 anos que quase infartou na subida de volta, rs, era hora de almoçar. Desta vez, antes de sairmos de casa, planejei direitinho nosso dia, escolhendo, inclusive, o lugar onde almoçaríamos. Foi a melhor coisa que fiz. Apesar de eu ser uma big fan de paseios espontâneos, às vezes, é necessário menos espontaneidade para ter um dia bem gostoso. Acho que em viagens por lugares muito turísticos, o melhor a fazer é planejar, verificar as avaliações das atrações e especialmente dos restaurantes – pelo menos pra mim, que adoro comer bem.

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Almoçamos no Three Monkeys Café, um restaurante delicioso com uma ambiência maravilhosa e uma vista super zen para uma plantação de arroz. Sem falar da música ambiente – quando chegamos estava tocando Bossa Nova. Não dá pra ficar melhor, né? Dá sim. Tomei um suco de abacaxi com hortelã divino, comi entradinhas maravilhosas e meu prato estava dos Deuses. 

Uma coisa que estamos descobrindo aqui é que para se comer realmente bem, é necessário se pagar mais (não tanto quanto na Austrália, onde ainda pagamos 50% a mais do que num bom restaurante aqui), mas vale muito a pena.

A última parada do dia foi, na verdade, o que nos levou a Ubud: The Sacred Monkey Forest, a floresta linda onde os macacos vivem completamente soltos.

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A visita foi muito, muito, muito legal. Programação turistona, mas muito divertida. Antes de irmos, li alguns posts de blogueiros viajantes a respeito do parque e as opiniões e experiências eram bem divididas. Confesso que quase desisti, ao ler um post assustador, onde o cara foi perseguido pelos macacos, arranhado e mordido, num dia de terror que contou até com uma chuva torrencial. Mas eu ria tanto com o relato, que mal conseguia ler para o marido. E foi este relato de terror que fez o marido se animar para a visita, hahaha

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Nossa visita já começou com uma recepção de um macaco no meio do caminho, assim, soltinho da silva sauro, da cor do caminho de pedra – um desavisado pode facilmente pisar num rabo e arrumar uma grande confusão. Mal sabia eu que ainda viriam momento de emoção.

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Os macacos são, em geral, super tranquilos, talvez porque o dia estava no fim  e a macacada já estivesse mais do que satisfeita (imagino que pela manhã eles sejam mais vorazes em busca de bananas). Eu parecia criança vendo aqueles macacos quase humanos interagirem com as pessoas 🙂 Já as minhas crianças estavam com medo, mais medo do que imaginava que fossem sentir. Tanto medo que decidi que não compraríamos bananas para alimentar os macacos, porque turista com banana na mão = macaco subindo pelas pernas até a cabeça – já imaginou a gritaria que os meninos (e os macacos) iriam arrumar? rs

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Só que, mesmo sem banana, um macaquinho muito simpático se proximou de mim, primeiro para brincar com a minha Melissa (achou intrigante, imagino), depois veio pegar meu dedo e quando menos esperada, roubou meus óculos, olhou no fundo dos meus olhos e, juro, riu! hahaha Quem disse que eu conseguia os óculos de volta? Ele pulava pra longe, virava pra trás e dava uma olhadinha debochada, emitindo um som que mais parecia uma risada de quem diz: “trouxa!” hahaha. Mas como os óculos eram baratos, não tentei recuperá-los, entretanto, duas garotas chinesas muito bem vestidas não sossegaram enquando não conseguiram fazer o macaco devolver meus óculos – imagino que tenham achado que eram óculos caros, rsrsrs. No fim das contas, o macaco abusado, após tentar comer os óculos, jogou de volta. Em cima de mim!

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O importante é que isso me rendeu fotos (o marido clicou o momento do furto, rs) e uma história para contar 😛

Durante nossa visita, vimos desde mamães zelosas com seus filhotinhos pendurados, até brigas de macacos mais velhos. Experimentei até mesmo o que acontece quando você faz “eye contact” com um macaquinho aparentemente indefeso. Infelizmente só fui ler o aviso sobre o que não fazer, 30 minutos depois, então levei um pequeno susto quando me abaixando perto de um macaquinho para tirar uma foto, desavisadamente olhei nos olhos dele. A resposta? Rosnou pra mim (macaco rosna?) e me mostrou todos os dentes de uma maneira nem um pouco cordial. Oooops, sorry, macaco. 

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Já no finzinho do dia, o marido decidiu oferecer uma banana a um macaco que, mesmo sem muita vontade, foi lá, fez seu papel, escalou o Mauricio e pegou a banana, que jogou no chão depois, rs. 

Uma pena termos chegado lá tão tarde, porque havia muito mais a visitar no santuário dos macacos. Além de um templo lindo, a floresta encantadora, com caminhos, pontes, esculturas e quedas d’água pelo caminho. Mas ainda assim, sem ter conseguido explorar o local como gostaria, curti bastante, foi uma bela experiência interagir com os macacos da forma que interagimos lá. Recomendo o passeio.

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Na volta pra casa, pegamos um transitozinho esperto. Estávamos tão cansados que só tivemos forças para pedir uma pizza e terminar de assistir o filme que havíamos iniciado na noite anterior. 

Relaxar cansa, passear cansa. Ultimamente, tudo me cansa, rs. Mas tô adorando cada minuto e já triste da vida porque quarta à noite vamos em bora 😦

Amanhã, o combinado (com as crianças) é passar o dia em casa, comer um almocinho caseiro, pegar uma piscininha, jogar Risk, cartas, enfim, relaxar e recarregar a bateria para o passeio do dia seguinte 😉